Sou mais crítico do que gostaria de admitir.
Na primeira parte deste texto, postulei sobre a frustração de não ter um diploma de jornalista para conseguir um emprego na área e o quanto alguns não-jornalistas conseguem oportunidades de trabalho mais facilmente. Logo, penso se um diploma no Brasil garante algum emprego. Por um tempo, me senti mais deslocado do que nunca.
Decidi colocar o sonho de ser um jornalista profissional na geladeira. Por enquanto.
Mas não me senti tão mal ao analisar como está o status informativo nestas primeiras semanas de 2012 - , assisti um pouco de TV aberta. Observei as capas das revistas e jornais e os comentários dos trends mais recentes de nossa cultura popular: reality shows, música,
A era da informação gerou novos valores numa saturação sem precedentes. A ramificação de tendências forçou as redes de TV a explorarem novos caminhos. O cotidiano do cidadão comum tornou-se tedioso e a era das celebridades entrou em ascensão; hoje as pessoas querem ser tão bem sucedidas, benquistas e ricas quanto àquelas que assistem - e destas celebridades, alguns até tornam-se jornalistas.
As vidas dos astros de TV, música e cinema tornaram-se mais perscrutadas - logo, suas imagens não bastavam, e criou-se o interesse por suas opiniões. Por ocuparem Estas geram idéias e, subsequentemente, comportamento. Um passo lógico num país onde não se exerce o questionamento, mas o acondicionamento; onde os
Infelizmente, nossos interesses e referências de bem-estar, informação e entretenimento estão por demais distorcidas.
Aponto o dedo para aqueles que sabem exatamente o que acontece atrás da cortina do palco. Nossos governantes compõem uma parte deste grupo; enquanto isso, apenas aplaudimos e recebemos o que nos é dado. Na platéia, são poucos que questionam o porque de estarem assistindo este espetáculo. Se há algo à ser feito, a expressão "cortar o mal pela raiz" também não se aplica.
Analisar a origem do problema é uma tarefa difícil: as informações que o brasileiro consome precisam ser produzidas. Mídias como os jornais e revistas precisam cobrir seus custos para manter-se no mercado e ainda manter o emprego de um jornalista - que talvez nem queira dissertar sobre um assunto que gere informação e reflexão, mas deve executar seu trabalho porque precisa comer e pagar suas contas. É uma estrutura delicada.
Só gostaria de ouvir mais perguntas do que respostas prontas. A TV (em especificamente a brasileira), não é o problema. Ela é o meio. Mas este meio infelizmente tornou-se a mensagem em si.
Acredito que é um bom princípio de filosofia analisar sobre como a mídia afeta o consciente coletivo, modificando nossos hábitos de questionamento, julgamento e consumo. Ao menos, a dúvida pode gerar boas perguntas.
Tenho minhas crenças e valores; assim como cada pessoa dentro e fora de seus nichos sociais. E gosto de observar como parte da população economicamente ativa, aquela que está às margens da sobrevivência, perdeu seus parâmetros de "certo e errado" para o que é "bom e ruim". Nesta situação, a era da informação gerou uma área cinza onde o objetivismo do "sim" e "não" perderam seus status para o "aí depende". Onde há dinheiro e uma oportunidade para os 15 minutos de fama, tudo se torna passível.
Por isso observo com cuidado as fontes de informação e seus resultados: muitas revistas do mesmo assunto nas bancas, muitos canais de TV, muitos programas com cabeças falantes e muitos aplausos para opiniões deformadas. Preconceitos sem observação. Conclusões sem análise. Vômitos virtuais em 140 caracteres. Tudo muito rápido.
Finalizo com um convite à reflexão sobre as etapas do processo do conhecimento humano postuladas pelo filósofo Edgar Morin - os Sete Saberes:
- Erro;
- Conhecimento pertinente;
- Condição humana;
- Identidade terrena;
- Enfrentar as incertezas;
- Ensinar a compreensão;
- Ética do gênero humano.
Morin também redefiniu a sociedade contemporânea de Homo Sapiens para Homo Complexus. A classificação faz jus nesta época de imediatismo e crise espiritual.

2 comentários:
Pois é, o jornalismo e a comunicação estão em crise. As novas mídias provocaram uma mudança de comportamento social muito significativa. Em um mundo onde qualquer um fala pelos cotovelos e tem uma bandeira a levantar, fala-se para quem? Quem está disposto a ouvir? E ouvir o quê, neste mundo de informações? Quem vai se mobilizar contra as ditaduras do oriente médio e quem vai assistir à entrevista do participante do reality show em horário nobre?
Espero que como toda crise, essa traga um equilíbrio natural em tempo, mas também temo que esse caos já seja o resultado final em si.
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